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Notícia FRTPA
Especialista destaca legado da COP30 e aponta caminhos para negócios sustentáveis na Amazônia
Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação
Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação
No último dia 13 de abril, a Rádio Alepa FM 101.5 recebeu a consultora e professora Kátia Garcez para uma entrevista exclusiva sobre o legado da COP30 e os impactos concretos para o Pará e a Amazônia.
Com mais de 18 anos de atuação em sustentabilidade, políticas públicas e negócios de impacto, Kátia trouxe uma leitura estratégica do novo momento vivido pela região.
Com passagem por instituições como o Ministério do Desenvolvimento, Petrobras, Sudam e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a especialista destacou que a COP30 não foi apenas um evento — mas um divisor de águas.
Segundo Kátia, o principal legado da COP30 foi o reposicionamento da Amazônia no cenário internacional. “Nós saímos da periferia das discussões e passamos a ser o centro das decisões globais.”
A fala sintetiza um dos pontos mais relevantes da entrevista: a mudança de percepção global sobre a região. A Amazônia deixou de ser apenas pauta ambiental e passou a ser vista como território estratégico para investimentos, inovação e desenvolvimento sustentável.
A especialista ressaltou que a COP30 impulsionou diretamente os chamados negócios de impacto — iniciativas que combinam lucro com benefícios sociais e ambientais.
Entre os avanços destacados podemos listar mais de 30 mil pessoas capacitadas por programas ligados à COP, houve a criação de polos de bioeconomia, fortalecimento de cadeias produtivas como açaí, cacau e cupuaçu e ampliação do acesso ao mercado internacional.
Kátia enfatizou que o diferencial do novo mercado está na exigência.“ Hoje, o mercado internacional só compra de quem respeita o meio ambiente, inclui comunidades e garante condições dignas de trabalho’’, disse.
Durante a entrevista, a consultora também explicou o conceito de ESG (Environmental, Social and Governance), que ganhou força após a COP.
Segundo ela, não se trata mais de diferencial competitivo, mas obrigatório para inserção no mercado global. Empresas que não adotarem práticas sustentáveis e socialmente responsáveis tendem a ficar fora das cadeias internacionais.
A entrevista também revelou números expressivos que mostram o impacto econômico do evento como o Plano Safra 2025/2026 com mais de R$ 516 bilhões, com cerca de R$ 80 bilhões destinados à agricultura familiar, Fundo Amazônia com aproximadamente R$ 360 milhões disponíveis e a expansão do crédito de carbono e da bioeconomia.
Além disso, programas como o “Selo Amazônia” surgem como ferramentas para garantir origem sustentável e abrir portas no comércio exterior.
Apesar dos avanços, Kátia alertou para um desafio central: a inclusão da população amazônica nesse novo cenário.
Com cerca de 300 mil jovens ainda fora do mercado e da educação formal, ela defende a ampliação urgente da capacitação técnica.“O mercado está pronto, mas a população ainda precisa estar preparada para acessá-lo’’, disse.
Comunidades tradicionais ganham protagonismo
Outro ponto forte foi o reconhecimento do papel das comunidades indígenas e tradicionais. Segundo Kátia, as mobilizações durante a COP30 resultaram em conquistas concretas, como inclusão em políticas públicas, acesso a recursos e maior visibilidade internacional.
Para a especialista, a capital paraense também passou por uma transformação importante: “Belém aprendeu a cuidar da sua cidade — mas ainda há um caminho a percorrer.” Ela destacou melhorias em infraestrutura, turismo e organização urbana, mas reforçou que o legado depende do compromisso contínuo da população e do poder público.
Ao final da entrevista, Kátia Garcez foi categórica: a COP30 não terminou — ela apenas iniciou um novo ciclo.
O maior desafio agora é garantir que os compromissos firmados se transformem em resultados duradouros, com desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental e inclusão social.“A COP trouxe uma agenda de responsabilidade compartilhada. Agora, todos fazem parte dela.”.jpg)
Assista agora a entrevista na íntegra:
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