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Notícia FRTPA

27/04/2026 | 15h36 - Atualizada em 27/04/2026 | 15h35

Movimento "Amazônia de Pé" discute preservação e políticas públicas na Rádio Alepa FM

Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação

Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação

Catarina Nefertari celebrou o amadurecimento do debate público com a realização da COP30.

A proteção da maior floresta tropical do mundo não é apenas uma questão técnica ou governamental, mas uma urgência que nasce das bases populares. Foi sob essa premissa que a Rádio Alepa FM (101.5 MHz), emissora da Fundação Rádio e TV Alepa, recebeu nesta segunda-feira (27) a comunicadora e ativista Catarina Nefertari, co-diretora do movimento Amazônia de Pé, para uma entrevista exclusiva no programa "Entrevista em Destaque".

Durante a conversa, Catarina Nefertari — uma das vozes expoentes da nova geração de lideranças nortistas — detalhou como o movimento atua na intersecção entre cultura, justiça climática e mobilização social.

Catarina relembrou que o "Amazônia de Pé" nasceu em 2022, um ano crítico em que o desmatamento atingia índices alarmantes e as políticas de demarcação de territórios indígenas e quilombolas enfrentavam graves retrocessos. "O Brasil ainda não conhece a Amazônia de fato. E nós só protegemos aquilo que conhecemos. Nossa missão é fazer as pessoas entenderem que a Amazônia é um bem de todos nós", afirmou.

Um dos pontos centrais da pauta levada pela Rádio Alepa foi o destino das Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Segundo Nefertari, essas áreas representam hoje um território equivalente ao tamanho do estado da Bahia. Por não possuírem um uso definido pelo Poder Público, tornam-se os alvos principais de crimes ambientais." Essas florestas são as mais suscetíveis à grilagem e ao desmatamento. Por que um espaço desse tamanho, que pertence a todos os brasileiros, não é colocado no centro da prioridade de tomada de decisão?", questionou a ativista.

Ela defende que, embora a queda seja um passo importante, a proteção definitiva passa obrigatoriamente pela centralização dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como protagonistas da gestão ambiental.

Catarina Nefertari celebrou o amadurecimento do debate público com a realização da COP30 em Belém. "Hoje conseguimos conversar sobre assuntos complexos, como a segurança jurídica das FPNDs, com ativistas e com a população. As pessoas entenderam que a Amazônia de Pé é a premissa para o desenvolvimento do Brasil, e não um obstáculo", afirmou.

Catarina Nefertari também trouxe à tona números que dimensionam o desafio da preservação ambiental no Pará. A ativista enfatizou que o estado possui 1,7 milhão de hectares de florestas públicas não destinadas (FPNDs) sob seu domínio direto — uma área comparável a 1,7 milhão de campos da dimensão do Estádio Mangueirão.

O foco da discussão não foi apenas a extensão territorial, mas o impacto global dessas áreas. Segundo Nefertari, essas florestas retêm aproximadamente 170,5 milhões de toneladas de carbono. Caso sejam degradadas ou desmatadas, esse volume seria liberado, agravando severamente a crise climática.

A entrevista reforça o papel da Fundação Rádio e TV Alepa em abrir espaço para debates essenciais sobre o desenvolvimento sustentável e a soberania do território paraense. Por meio da Rádio Alepa FM, o legislativo estadual cumpre sua missão de aproximar temas complexos de políticas públicas do cotidiano da população.

 

Serviço:

Um dos pilares do movimento é o Projeto de Lei Amazônia de Pé, que propõe a destinação imediata de 50 milhões de hectares (nível federal) para proteção. Para chegar ao Congresso Nacional, o projeto de lei precisa de 1,5 milhão de assinaturas e hoje tem cerca de 300 mil assinaturas coletadas.

Como participar? O processo ainda é analógico (exigência legal). Os interessados devem acessar o site amazoniadepe.org, baixar a ficha, coletar assinaturas e enviar ao movimento.

 

Você pode acompanhar a íntegra da entrevista com Catarina Nefertari nos canais oficiais da TV Alepa no YouTube ou sintonizando a 101,5 MHz (Rádio Alepa FM).

As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da FRTPA.