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07/05/2026 | 15h59 - Atualizada em 07/05/2026 | 15h59

Alepa debate o abastecimento de água no Pará

Reportagem: Rodrigo Nicolau- AID - Comunicação Social

Edição: Andreza Batalha- AID - Comunicação Social

As falhas no abastecimento de água em diversos municípios do Pará foram o tema da Sessão Especial realizada nesta quinta-feira (7), no auditório João Batista da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). O debate, conduzido pela deputada Lívia Duarte (PSOL), reuniu representantes de movimentos sindicais e da sociedade civil, que cobraram esclarecimentos da concessionária Águas do Pará sobre os problemas recorrentes no fornecimento. 

Ao abrir os trabalhos, Lívia lamentou a ausência de representantes da Aegea — grupo responsável pela concessionária — e do Governo do Estado. Segundo a parlamentar, a falta de diálogo agrava a preocupação da população diante das interrupções. "A reunião de hoje, infelizmente, contou com a ausência de representantes que precisam estar cientes dos problemas enfrentados e buscar soluções. Trabalhamos pela reestatização da Cosanpa por entendermos que a água não deve ser tratada como mercadoria; o Estado precisa retomar as operações e investir na qualidade do serviço para o bem de todos", destacou a deputada. 

O ativista global e conselheiro jovem do Unicef, João do Clima, enfatizou que o debate deve gerar resultados práticos. "A sessão precisa ser mais que um ato retórico; são necessários encaminhamentos concretos para viabilizar o pleno restabelecimento de água em nossas casas. Exigimos fiscalização, transparência e responsabilidade, especialmente em investimentos de saneamento nas periferias e municípios de difícil acesso", pontuou. Para ele, as populações periféricas e das ilhas "merecem viver com dignidade e ter garantido o acesso ao insumo que nunca deveria faltar". 

O professor Luiz Rocha, da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou que a privatização da Cosanpa seria desnecessária caso houvesse o investimento adequado na companhia. "O governo argumenta que não detém recursos para a universalização, mas sabemos que o BNDES oferece financiamentos bilionários, assim como o Ministério das Cidades, via FGTS e Novo PAC. A privatização não é a solução", defendeu. 

Ketrin Palmerim, representante do Comitê Independente de Trabalhadores da Cosanpa, reforçou que a desestatização não trouxe melhorias ao serviço. A servidora também exigiu condições dignas de trabalho, citando o recente falecimento de um operário da companhia atingido por uma tubulação enquanto trabalhava sem os devidos equipamentos de segurança. 

A vereadora Rafa Matos, de Terra Alta, relatou o drama dos moradores de sua região, que passam semanas sem água tratada. "O que mais indigna é que, mesmo sem água nas torneiras, a conta chega pontualmente. A população paga por um consumo quase inexistente e por um produto de péssima qualidade", concluiu.