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Notícia do deputado Carlos Bordalo

As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da assessoria do próprio deputado.

02/06/2026 | 15h24 - Atualizada em 02/06/2026 | 15h24

Projeto de Bordalo reconhece obras de Raymundo Heraldo Maués como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará

Reportagem: Heloiá Carneiro

Edição: Carlos Bordalo




O deputado Bordalo (PT) apresentou um Projeto de Lei que declara e reconhece as obras do professor Raymundo Heraldo Maués como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. A iniciativa busca preservar e valorizar o legado intelectual de um dos mais importantes antropólogos brasileiros, cuja trajetória acadêmica foi dedicada à compreensão e à valorização da cultura amazônica, da diversidade religiosa e dos saberes tradicionais dos povos da região.


Natural de Abaetetuba, Raymundo Heraldo Maués nasceu em 3 de junho de 1938 e construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a produção científica, a educação e a defesa da democracia. Graduado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou-se nacional e internacionalmente pelos estudos voltados às manifestações culturais e religiosas da Amazônia.


Para Bordalo, reconhecer a obra de Heraldo Maués significa preservar uma parte fundamental da memória intelectual e cultural do povo paraense.


"O professor Heraldo Maués dedicou sua vida a compreender e valorizar os saberes, as crenças e os modos de vida dos povos amazônicos. Sua obra é um patrimônio coletivo que ajuda a contar quem somos, de onde viemos e como nossa diversidade cultural contribui para a construção da identidade paraense", afirmou o parlamentar.


Ao longo de sua trajetória, Maués desenvolveu pesquisas pioneiras sobre religiosidade popular, catolicismo, xamanismo, medicina tradicional e práticas culturais amazônicas. Seu trabalho de mestrado deu origem à obra A Ilha Encantada: Medicina e Xamanismo em uma Comunidade de Pescadores, considerada referência nos estudos antropológicos sobre sistemas tradicionais de conhecimento e cura na Amazônia.


Posteriormente, concluiu o doutorado em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, consolidando-se como uma das principais referências brasileiras na Antropologia da Religião. Sua produção acadêmica contribuiu para ampliar a visibilidade de comunidades caboclas, ribeirinhas, indígenas e de outros grupos sociais que historicamente tiveram seus conhecimentos marginalizados.


Além da extensa produção intelectual, Heraldo Maués também teve papel fundamental na formação de pesquisadores, orientando dezenas de dissertações e teses. Em reconhecimento à sua contribuição acadêmica, recebeu o título de Professor Emérito da UFPA e, em 2010, foi agraciado com a Medalha Roquette-Pinto, uma das mais importantes homenagens concedidas pela antropologia brasileira.


Segundo Bordalo, o reconhecimento oficial das obras do pesquisador fortalece a valorização da ciência produzida na Amazônia e contribui para preservar conhecimentos essenciais para as futuras gerações.


"Estamos falando de uma obra que documenta a riqueza cultural da Amazônia e dá visibilidade a povos e comunidades que ajudaram a construir a história do nosso estado. Valorizar esse legado é também fortalecer a memória, a cultura e a produção científica paraense", destacou.


Caso aprovado, o projeto garantirá o reconhecimento institucional da contribuição de Raymundo Heraldo Maués para a preservação da diversidade cultural amazônica, reafirmando a importância de sua obra como patrimônio intelectual, científico e cultural do Pará.