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Alter do Chão: Alepa reconhece e distrito de Santarém é patrimônio do Pará
Reportagem: Bruno Freire
Edição: Bruno Freire

Quase um mês após ter completado exatos 264 anos de fundação, em 6 de março passado, o distrito de Alter do Chão, em Santarém, na região do Baixo Amazonas, de significativa fama mundial por suas belezas naturais incomparáveis, foi reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Estado do Pará em votação do projeto 392/2021, de autoria do deputado Raimundo Santos (PSD), aprovado em redação final e de forma unânime na sessão plenária da Assembleia Legislativa (Alepa) de hoje (5 de abril). A proposição segue agora à sanção do governador Helder Barbalho.
O parlamentar, que é santareno de origem, disse na tribuna que a aprovação do PL é um "resgate institucional da importância histórica, cultural e turística". Em sua proposição, o autor havia destacado: "Causa estranheza e também espanto que um lugar tão icônico e paradisíaco, referência no País e no mundo não seja considerado oficialmente como Patrimônio de Natureza Material e Imaterial do Pará". "É esse devido resgate institucional que este projeto de lei encerra, fazendo justiça pelo que Alter do Chão representa no contexto histórico, cultural e turístico no âmbito estadual", observou.
Em seu pronunciamento no plenário Newton Miranda, Raimundo Santos também lembrou que em 27 de setembro de 2021 Alter do Chão conquistou o título nacional de "Melhor Destino Turístico Nacional" do ano, valendo o XXXI Prêmio UPIS de Turismo, o mais importante do segmento do Distrito Federal e um dos principais do País, superando na ocasião a Chapada Diamantina, na Bahia, que ficou em segundo lugar na votação, e Jalapão, no Tocantins, o terceiro colocado.
Ele chamou a atenção para os reconhecimentos públicos nacionais e estrangeiros sobre a localidade, de cerca de menos de 10 mil habitantes e criada em 1758. Um deles foi a reportagem do jornal inglês "The Guardian", segundo a qual o distrito tem a mais bonita praia de água doce do mundo, chegando a classificá-la de "Caribe brasileiro", uma comparação à famosa região da América Central pertencente ao continente americano, considerada paradisíaca.
Dados históricos indicam que a fundação de Alter do Chão é originária em 6 de março de 1626, sendo elevada à categoria de vila por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador da capitania do Grão-Pará durante o Brasil Colônia na data de 6 de março de 1758, e que durante os séculos XVII e XVIII recebeu diversas missões religiosas comandadas por jesuítas da Ordem Companhia de Jesus.
Levantamentos de especialistas apontam que até o século XVIII a vila era habitada majoritariamente por comunidades indígenas boraris. Outra curiosidade é que no início do século passado ela constituiu-se rota de transporte de látex extraído das seringueiras dos municípios de Belterra e Fordlândia.
O deputado disse que a origem do nome "Alter do Chão" é, na verdade, uma homenagem à vila portuguesa homônima, mas que a do Pará apresenta particularidades como o famoso encontro das águas de tonalidade azul-esverdeada do rio Tapajós com as de cor barrenta do rio Amazonas, sem que haja mistura entre elas. Ele também relacionou em sua manifestação a importância da famosa Festa do Sairé ou Çairé, criada há mais de 300 anos, reunindo elementos interculturais e religiosos. "É um distrito renomado", salientou o parlamentar.
