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Notícia

30/05/2022 | 13h53 - Atualizada em 31/05/2022 | 13h34

Comissão de Saúde da Alepa participa de Encontro do Parlamento Amazônico e debate políticas públicas

Reportagem: Mara Barcellos

Edição: Dina Santos

Com objetivo de discutir políticas públicas na Região Amazônica, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), representada pelo deputado e médico Dr Jaques Neves, presidente da comissão temática no Legislativo Paraense, participou do Primeiro Encontro das Comissões de Saúde das Assembleias Legislativas da Amazônia Legal – Ecoam.

A programação organizada pela Secretaria de Saúde da União Nacional de Legisladores e Legislativos - Unale, em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), ocorreu na última sexta – feira (27) na sede do Poder Legislativo, em Manaus, e foi conduzida pela presidente da pasta, deputada Mayara Pinheiro (AM), do Parlamento Amazônico e da Comissão de Saúde da Aleam.

Entre vários temas debatidos, destacaram-se saúde da mulher, e o aumento do Teto MAC (Sistema de Controle de Limite Financeiro da Média e Alta Complexidade) do SUS para a Região Norte; fiscalização e a colaboração de parlamentares nas políticas públicas; e a união de esforços junto à bancada federal para buscar investimentos de saúde à região amazônica.

Atuação

Em sua apresentação com a palestra “Fiscalização e Colaboração com órgãos do Poder Executivo que realiza a Política Pública no Estado do Pará”, o deputado Dr. Jaques Neves, membro da Comissão de Saúde do Legislativo Estadual desde 2017, enfatizou os trabalhos durante a pandemia e a parceria com órgãos de saúde e executivo paraense.

“A comissão atua fazendo visitas e escutas nos municípios, com gestores e profissionais de saúde, buscando intermediar junto ao Poder Executivo e aos demais órgãos de saúde para encontrarmos soluções. Fizemos visitas em 80 hospitais municipais. Na pandemia reunimos com prefeitos em cada região e, a região do Marajó foi a mais impactante, fui nos 16 municípios marajoara. Visitamos e fiscalizamos os 4 hospitais de campanha instalados pelo governo do Pará”, destacou.

Deputado Jaques Neves

Conquistas

O parlamentar apresentou algumas conquistas para a área da saúde, entre elas a realização de sessões especiais para debater doenças raras e políticas para atender necessidades de pacientes com fissuras labiopalatal.

A partir de um intenso debate, apresentação de projeto de lei, o governo sancionou, transformando em legislação, que dispõe sobre a inclusão de pessoas com fissura labiopalatina como pessoa com deficiência no âmbito do Estado do Pará. Com uma legislação especifica, as más formações congênitas, fendas palatinas ou fissuras ficaram equiparadas às deficiências físicas, para efeitos jurídicos.

“Buscamos sensibilizar o governo, que acatou a nossa proposta aprovando lei e implementando o Serviço de Referência em Fissuras e Anomalias Craniofaciais da Fundação Santa Casa do Pará. Foram mudanças importantes para o atendimento aos pacientes no estado”, relatou.

Deputado Jaques Neves

A Santa Casa do Pará é referência no atendimento de pessoas com fissura labiopalatal e outras deformidades craniofaciais, e já realizou mais de 1.000 atendimentos. O Serviço de Referência em Fissuras e Anomalias Craniofaciais já fez o acompanhamento pré e pós-operatório de 714 pacientes, dos quais 599 são crianças que passaram por cirurgias.

Sobre trabalhar a saúde na Amazônia disse que é necessário ampliar o debate e unir esforços entre União, Bancada Federal, estados e municípios.

Apoio  

“O parlamento precisa tratar da pauta de saúde em Brasília, para que cada representante de seu estado apresente suas demandas para buscar união de esforços junto à bancada federal. E dessa forma o governo federal passe a conhecer a nossa realidade como a gente conhece”, enfatizou.

O parlamentar defendeu uma política diferenciada que atenda à realidade do Marajó e da Amazônia.

“O “Abrace o Marajó” é importante, mas nós precisamos abraçar a Amazônia e salvar o nosso povo. Tratar infarto em outras regiões é mais fácil do que tratar no Pará pela própria geografia e se for no Marajó ainda é mais difícil e por isso precisamos criar um protocolo”, completou.

SUS

“O SUS foi e é fundamental para a saúde, mas a pandemia mostrou que ele precisa melhorar a sua estrutura. É preciso otimizar recursos, não só evitando o desperdício, mas investindo na prevenção primária da saúde de forma a evitar que a população adoeça”, concluiu o deputado.

Saúde da Mulher

Jaques Neves chamou a atenção para a prevenção da saúde da mulher.

“Se a gente não fizer exames de mamografia, não vamos conseguir diagnosticar. A gente precisa fazer a busca ativa para salvar o nosso povo e as nossas mulheres. E o ministério da Saúde não pode ficar atuando como telespectador”, observou.

A presidente da Secretaria, deputada Mayara Pinheiro (AM) comentou sobre o alto índice de  de mortalidade materna e de câncer de colo de útero no estado do Amazonas. “Os dados retratam nossas dificuldades econômicas e a vulnerabilida social”, disse. 

Deputada Mayara Pinheiro

O encontro contou com a participação de parlamentares representantes das comissões de saúde dos estados brasileiros que compõem a região norte e nordeste, entre eles Aldilene Souza (AP), Coronel Chagas (RR), Dr. Jaques Neves (PA), Edna Auzier (AP), Eyder Brasil (RO), Gabriel Picanço (RR), Goretti Reis (SE), Jory Oeiras (AP), Paulinho Ramos (AP), Sargento Cirone Deiró (RO) e Zezinho Tupinambá (AP).

Deputado Gabriel Picanço

O vice-presidente da Unale da região Norte, deputado Gabriel Picanço (RR), destacou que a região Amazônica é muito esquecida pelo resto do Brasil. “Nossas discussões monetárias para os médicos são totalmente diferente, na competência de deputado estadual, nós temos que lutar por nossa querida Amazônia e precisamos ter esta visualização perante o país”, argumentou.

O Secretário de Estado de Saúde do Amapá, Juan Mendes da Silva, destacou que “é necessário repensar o sistema de saúde em um momento de aprendizado que todos os estados passaram em relação à pandemia”.

Carta de intenção

Na oportunidade, também foi apresentada a Carta Compromisso a ser entregue ao Ministério da Saúde e Governo Federal com as reinvindicações do Parlamento Amazônico.

Entre os principais pontos destacados estão: revisão dos valores destinados à saúde de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar, que são transferidos de forma regular aos fundos de saúde dos estados e municípios para atender as regiões e a flexibilização de leitos na Amazônia em virtude da própria realidade.