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Notícia
Deputado pede mais dignidade ao cidadão e ações para combater as desigualdades sociais
Reportagem: Shirley Castilho
Edição: Dina Santos
O deputado Torrinho Torres (PODEMOS) usou a tribuna, nesta terça-feira(21) na Assembleia Legislativa do Estado do Pará, para debater a falta de mobilidade, a necessidade de soluções para diminuir as desigualdades sociais e criticar os discursos elaborados que contradizem as ações, negando dignidade ao cidadão por conta de ideologias políticas. Ele criticou o governo federal por falhar em suas ações na garantia de igualdade de direitos.
O parlamentar ressaltou que é inaceitável que as injustiças sociais transcendam as ideologias e pediu que o governo federal, na pessoa do seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e da ministra da Igualdade racial, Anielle Franco, sejam mais humanos e justos, e que os discursos sejam reproduzidos na prática. ''Lembremos das palavras bonitas da ministra Anielle Franco na TV: 'temos o mesmo direito de viver com dignidade'. Mas como podemos falar em dignidade se nossas ações contradizem os nossos discursos?'', questionou o parlamentar.
Deputado Torrinho Torres
O deputado repercutiu o vídeo que viralizou de um cidadão que teve a perna quebrada e estava agonizando na Terra Indígena Apyterewa, no sul do Pará, e foi abandonado pela Força Nacional. ''Ele foi deixado no chão seminu, se contorcendo de dor enquanto uma ambulância a 200 quilômetros de distância era sua única esperança, em um território onde nem mesmo a prefeitura de São Félix do Xingu tem permissão de entrar. Isso não é apenas um descaso, é um crime contra a humanidade'', bravou.
Torrinho pediu a intervenção por um país que priorize a dignidade humana acima das ideologias. ''O equilíbrio está no meio. Chega de extremos. Dividir a sociedade brasileira entre quem é de esquerda e de direita é uma das coisas mais estúpidas que aconteceram no Brasil nos últimos anos. Essa é uma visão que mais alimenta ódio e preconceito entre os irmãos brasileiros''. ressaltou.
A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta o aumento da desigualdade social após a pandemia. Historicamente, a população brasileira sempre foi marcada por uma enorme desigualdade social e econômica; a pandemia de Covid-19 intensificou essas diferenças e colocou novos desafios para a sociedade em geral. A pesquisa foi realizada pela FGV Social, que uniu a base de dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) à da Pnad Contínua realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Muitos organismos tem trabalho no combate à desigualdade social para dar mais dignidade a população. O foco do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades- aliança composta por Organizações da Sociedade Civil, parlamentares e atores do mundo político - tem a missão de incluir essa pauta política como prioridade visando fomentar iniciativas para reduzi-las.
A taxa de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil subiu de 16%, em 2014, para 23,7%, em 2021, aponta o Boletim de Desigualdade nas Metrópoles, realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT). Na Região Metropolitana de Belém (Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara e Santa Isabel do Pará) o quantitativo saltou de 26,2% para 36% da população, o que representa cerca de 816.923 pessoas vivendo em situação de pobreza.
No ranking de desigualdade social do estudo, a Região Metropolitana de Belém está em 5º lugar entre as regiões metropolitanas brasileiras, ficando para atrás de Aracaju (SE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Salvador (BA), em ordem decrescente.
O deputado falou que não se pode pensar em um país justo e pregar a igualdade enquanto se permite que cidadãos sofram. ''Senhor Presidente, Ministra Anielle, não são apenas palavras bonitas, mas ações concretas que garantem a todos os brasileiros os direitos que lhe são devidos. Ajam por um país onde a dignidade humana esteja acima de ideologias e onde a igualdade não seja apenas um discurso, mas uma realidade'', finalizou.
